O que é um arquivo GPX?
Um arquivo GPX é a descrição escrita de um trajeto: uma sequência de coordenadas, na ordem em que foram percorridas ou na ordem em que se pretende percorrê-las. Ele não contém nenhum mapa — quem fornece o mapa é o programa que o abre.
Um arquivo de texto, legível como está
GPX significa GPS Exchange Format. É XML, ou seja, texto com marcação: aberto em um editor de texto, um GPX se lê a olho nu, linha por linha, e cada ponto traz sua latitude e sua longitude. Nada ali é criptografado nem compactado. É isso que explica sua longevidade — o formato não muda desde 2004, e um aparelho de quinze anos atrás ainda lê um arquivo exportado hoje de manhã.
Trajeto registrado, itinerário e ponto de interesse: três coisas diferentes
Um GPX pode trazer três tipos de conteúdo, e a confusão entre os dois primeiros causa a maior parte dos problemas. Um trajeto registrado é uma gravação: milhares de pontos anotados segundo a segundo, o caminho realmente percorrido. Um itinerário é uma intenção: alguns pontos de passagem que o próprio aparelho liga entre si, do seu jeito. Os pontos de interesse, por sua vez, são lugares nomeados, independentes do caminho. O mesmo percurso descrito como trajeto registrado ou como itinerário não gera nem o mesmo arquivo, nem a mesma distância.
O que um GPX não contém
Nem mapa, nem foto, nem cor, nem nome de trilha. Um GPX descreve apenas posições; tudo o que aparece ao redor do traçado na tela — o relevo, as curvas de nível, os vilarejos — vem do fundo de mapa do programa que o exibe, não do arquivo. É por isso que o mesmo trajeto tem uma aparência diferente de um leitor para outro, sem que nenhum dos dois esteja errado.
A altitude e o horário são opcionais
Muitos arquivos trazem uma altitude e um horário para cada ponto, mas nada exige isso. Um percurso desenhado à mão em um site de itinerários quase nunca tem nenhum dos dois: não há então desnível a calcular, nem velocidade, nem duração. Quando a altitude está presente, sua precisão depende da origem — um barômetro segue o relevo de perto, mas se desvia com o tempo, enquanto um GPS isolado erra facilmente vários metros na vertical.
De onde vêm os arquivos GPX
De um relógio ou de um ciclocomputador, que exportam o percurso ao voltar; de um site de itinerários, que o oferece para download; de um guia de trilhas ou de uma secretaria de turismo, que anexa o arquivo à sua página; de um companheiro de viagem, que o envia por e-mail. É sempre o mesmo formato, e ele não depende de conta nem de nenhum serviço.
GPX, TCX, KML, FIT: qual serve para quê
O GPX é o formato de troca: o que quase tudo lê e escreve. O TCX vem dos aparelhos de treino e acrescenta medidas de esforço — frequência cardíaca, cadência — ao mesmo traçado. O KML serve para exibição cartográfica, com seus estilos e camadas, mas descreve uma forma, não um percurso no tempo. O FIT é binário, compacto, e específico dos aparelhos que o gravam. Na dúvida sobre o que pedir, peça GPX.
O que se encontra dentro dele
- Os pontos do trajeto
- Uma longa sequência de coordenadas, cada uma com sua latitude e sua longitude, em ordem. É o coração do arquivo, e muitas vezes chega a dezenas de milhares de linhas para um único dia de caminhada.
- A altitude, quando está presente
- Um valor por ponto, em metros. É dela que se deduz o desnível e o perfil do percurso; sem ela, um leitor só consegue mostrar um mapa plano — e faz bem em não inventar o resto.
- O horário, quando está presente
- O horário de cada ponto, única fonte possível para uma duração, uma velocidade ou uma pausa. Um percurso preparado com antecedência não tem nenhum: ainda ninguém o percorreu.
- Os pontos de interesse
- Pontos nomeados, independentes do traçado: um abrigo, uma fonte, um passo de montanha, um início de trilha. Trazem um nome, às vezes uma descrição, e muitos leitores simplesmente os ignoram.
- Os segmentos
- Um trajeto pode ser dividido em vários trechos. Uma quebra marca uma pausa, uma perda de sinal ou uma troca de dia — e um leitor cuidadoso não liga as duas pontas, porque a linha reta que ele traçaria adicionaria uma distância que ninguém percorreu.
- O nome e o aparelho
- Um título para o trajeto, e muitas vezes a menção do equipamento ou do programa que o produziu. É isso que aparece no topo quando um leitor o abre — e por que tantos arquivos ainda se chamam "Track 001".
Veja o que o seu contém
O jeito mais rápido de saber o que um arquivo traz continua sendo abri-lo. O visualizador deste site o lê no seu navegador e mostra o que encontra: o traçado, a distância, o desnível quando há altitudes, os pontos de interesse quando existem. O arquivo não sai do seu aparelho, e nada é guardado.
Perguntas frequentes
- Um arquivo GPX pode conter vários trajetos?
- Sim, e é uma causa frequente de problemas: muitos aparelhos leem apenas o primeiro, ou recusam o arquivo inteiro. Um GPX por trajeto continua sendo a forma mais segura de transferir.
- É possível editar um GPX à mão?
- Sim, é texto: corrigir um nome ou apagar um ponto de interesse em um editor funciona bem. Remover pontos à mão, por outro lado, dá errado com facilidade — melhor usar uma ferramenta que recalcula as distâncias por você.
- Por que meu arquivo não mostra nenhum desnível?
- Porque ele não contém altitude. É o caso da maioria dos percursos desenhados em um mapa em vez de registrados no terreno. Um leitor honesto mostra então um mapa sem perfil, em vez de estimar um número.
- Um GPX contém dados pessoais?
- Ele contém o lugar e o horário por onde você passou, o que muitas vezes já basta para dizer onde você mora: um trajeto registrado desde casa começa na sua porta. É por isso que as ferramentas deste site leem os arquivos no navegador, sem jamais enviá-los.
